domingo, 17 de maio de 2009

Habermas

Princípio do discurso:
"somente são válidas as normas de ação as quais todos os possíveis atingidos poderiam dar o seu assentimento, na qualidade de participantes de discursos racionais"

Introduction – The Kantian Project of International Law: Engagements with Jürgen Habermas’ The Divided West - PDF-Version - Achilles Skordas & Peer Zumbansen

 

 

Universalism Renewed: Habermas’ Theory of International Order in Light of Competing Paradigms - PDF-Version - Armin von Bogdandy & Sergio Dellavalle

 

 

Universalism Renewed: Habermas’ Theory of International Order in Light of Competing Paradigms - Part II/II - PDF-Version - Armin von Bogdandy & Sergio Dellavalle

 

 

The Is and the Ought of International Constitutionalism: How Far Have We Come on Habermas’s Road to a "Well-Considered Constitutionalization of International Law"? - Part I/II - PDF-Version - Thomas Giegerich

 

 

The Is and the Ought of International Constitutionalism: How Far Have We Come on Habermas’s Road to a "Well-Considered Constitutionalization of International Law"? - Part II/II - PDF-Version - Thomas Giegerich

 

The World State: A Forbidding Nightmare of Tyranny? Habermas on the Institutional Implications of Moral Cosmopolitanism - PDF-Version - Ronald Tinnevelt & Thomas Mertens

 

 

The Day the Earth Stood Still? – Reading Jürgen Habermas’ Essay “February 15” Against Ian McEwan’s Novel Saturday - PDF-Version - Russell A. Miller

 

 

Preventing Military Humanitarian Intervention? John Rawls and Jürgen Habermas on a Just Global Order - PDF-Version - Regina Kreide

Fusca de vidro fechado - Cristovam Buarque

Aparências escolhidas

Há alguns anos, em um sinal de trânsito, às duas da tarde, em Manaus, o motorista mostrou-me o fusquinha ao lado e disse: “Ele fecha os vidros para dar a aparência que seu carro tem ar-condicionado.” Na hora, percebi que aquele era um retrato do Brasil. Não importava sentir calor, mas sim aparentar ter ar-condicionado.

Alguns dias atrás, dois juízes do Supremo se acusaram verbalmente e levantaram um debate nacional sobre o decoro nas reuniões da Corte. Um ministro acusou o Presidente do Supremo Tribunal Federal de estar desmoralizando a Justiça com seu gosto pela mídia e por decisões tomadas, acusou-o de andar protegido por capangas. Mas os críticos não exigiram que o acusador provasse, nem que o acusado mostrasse a mentira do acusado; e, se verdade, que fosse punido, perdesse o cargo. O debate foi sobre as aparências. Não importou se um dos juízes é mentiroso ou se o Presidente da nossa máxima corte está desmoralizando a Justiça. Importou que Suas Excelências não devem falar naquele tom. A aparência, a liturgia prevalecendo sobre a substância e o conteúdo.

No lugar de apurar quem tinha razão, a opinião pública ficou horrorizada com o comportamento, os ministros preocupados em por “panos quentes” e o povo já esqueceu, porque as aparências são substituídas rapidamente. E já não importa se há ministros que mente ou ministros que desmoralizam a corte.

Foi preciso a falta de decoro no uso de passagens, com recursos do Senado, para que a mídia e a população descobrissem que havia algo errado. A omissão não aparecia. Há tempo, nós parlamentares comparecemos à Brasília por apenas dois a três dias por semana e ficamos espalhados no edifício do Congresso; passamos a maior parte do tempo correndo de uma comissão a outra, não temos tempo de parlamentarmos entre nós. Ficamos a maior parte do tempo com a pauta trancada por Medidas Provisórias do Poder Executivo ou surpreendidos por Medidas do Judiciário. Mas a omissão do Congresso não aparece. Porque a culpa das Medidas Provisórias e das legislações feitas pelo poder Judiciário é do Congresso.

No Brasil, temos 14 milhões de analfabetos, 2,5 vezes mais do que há 120 anos, quando a República foi proclamada; em cada minuto de ano letivo, 60 crianças abandonam a escola; os poucos que chegam ao final do Ensino Médio saem despreparados para os cursos que chamamos de superiores. No século XXI, isso significa o naufrágio da nação, mas não vira escândalo, porque não afeta as aparências: temos escolas aparentes, programas de alfabetização aparentes, universidades aparentes. Para um país de aparência, isso basta.

Apesar da Embraer e outros poucos setores de alta tecnologia, nossa balança comercial é baseada sobretudo em ferro, soja, suco de laranja, alguns produtos da indústria mecânica; e nossas importações são chips, aparelhos de alta tecnologia, componentes inteligentes para a indústria, mas o resultado financeiro é positivo e o que vale é essa aparência.

A política brasileira é corrupta no comportamento e nas prioridades, mas nos dedicamos apenas à primeira dessas corrupções, porque ela aparece. O roubo de dinheiro público está aparecendo, mas desvio de dinheiro público das prioridades sociais para eventos midiáticos, imediatistas, dirigidos aos privilegiados não aparece. Por isso, a corrupção nas prioridades não é considerada.

Apesar da realidade de violência, desigualdade, depredação ambiental, baixa educação e o previsível fracasso de nosso desenvolvimento, somos um país de 190 milhões de brasileiros dentro de um fusquinha fechado, dando a impressão de termos ar-condicionado.

Porque a aparência é de crescimento econômico, porque além da preferência pelas aparências, aprendemos a esconder as aparências do que não interessa ver. Felizmente, descobrimos a podridão na superfície da política, que aparece graças às denúncias da mídia, mas não vemos a ferrugem na engrenagem da sociedade inteira, porque nem a mídia, nem nós todos queremos ver.

Somos um povo não só de aparências, mas também de aparências escolhidas.

 

Cristovam Buarque é senador (PDT-DF)


Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/05/09/aparencias-escolhidas-184540.asp


quarta-feira, 29 de abril de 2009

Pessoa - Tempo

O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.

Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis!

Fernando Pessoa

domingo, 26 de abril de 2009

Mersault, o estrangeiro

"ele é estrangeiro à sociedade em que vive [...] ele se recusa a mentir. Mentir não é apenas dizer aquilo que não é. Também - e sobretudo - é dizer mais do que é e, no que concerne ao coração humano, dizer mais do que sente. Todos nós fazemos isso todos os dias, para simplificar a vida. Ele diz o que é, ele se recusa a mascarar seus sentidmentos, e a sociedade logo se sente ameaçada."
Albert Camus

domingo, 5 de abril de 2009

O CANTO DA SEREIA E ADORNO & HORKHEIMER


"O escutado não tem conseqüências para ele que pode apenas acenar com a cabeça para que o soltem, porém tarde demais: os companheiros, que não podem escutar, sabem apenas do perigo do canto, não da sua beleza, e deixam-no atado ao mastro para salvar a ele e a si próprios. Eles reproduzem a vida do opressor ao mesmo tempo que a sua própria vida e ele não pode mais fugir a seu papel social. Os vínculos pelos quais ele é irrevogavelmente acorrentado à práxis ao mesmo tempo guardam as sereias à distância da práxis: sua tentação é neutralizada em puro objeto de contemplação, em arte. O acorrentado assiste a um concerto escutando imóvel, como fará o público de um concerto, e seu grito apaixonado pela liberação perde-se num aplauso. Assim o prazer artístico e o trabalho manual se separam na despedida do antemundo. A epopéia já contém a teoria correta. Os bens culturais estão em exata correlação com o trabalho comandado e os dois se fundamentam na inelutável coação à dominação social sobre a natureza (ADORNO & HORKHEIMER, 1997:45)."

Fonte:
http://en.wikipedia.org/wiki/Odysseus#Journey_to_the_Underworld

A teia de Penélope [Penelope's thread]



Penelope is the wife of the main character, the king of Ithaca, Odysseus (Ulysses in Roman mythology), and daughter of Icarius and his wife Periboea. She only has one son by Odysseus, Telemachus, who was born just before Odysseus was called to fight in the Trojan War. She waits twenty years for the final return of her husband,[6] during which she has a hard time snubbing marriage proposals from 108[7] odious suitors (including Agelaus, Amphinomus, Ctessippus, Demoptolemus, Elatus, Euryades, Eurymachus and Peisandros, led by Antinous).
On Odysseus's return, disguised as an old beggar, he finds that Penelope has remained faithful. She has devised tricks to delay her suitors, one of which is to pretend to be weaving a burial shroud for Odysseus's elderly father Laertes and claiming that she will choose a suitor when she has finished. Every night for three years, she undoes part of the shroud, until some unfaithful maidens discover her chicanery and reveal it to the suitors.

Odysseus and Penelope by Francesco Primaticcio (1563).
Because of her efforts to put off remarriage, Penelope is often seen as a symbol of connubial fidelity. Although we are reminded several times of her fidelity, Penelope does begin to become restless (due in part to Athena's meddling) and longs to "display herself to her suitors, fan their hearts, inflame them more" (xviii.183-84).[8] She is ambivalent, variously calling out for Artemis to kill her and, apparently, considering marrying one of the suitors. When the disguised Odysseus returns, she announces in her long interview with the disguised hero that whoever can string Odysseus's rigid bow and shoot an arrow through twelve axe shafts may have her hand. "For the plot of the Odyssey, of course, her decision is the turning point, the move that makes possible the long-predicted triumph of the returning hero".[9]
There is debate over the extent to which she is aware that Odysseus is behind the disguise. To Penelope and the suitors' knowledge, Odysseus (were he in fact present) would easily surpass all in any test of masculine skill. Since Odysseus seems to be the only person (perhaps excepting Telemachus) who can actually use the bow, it could merely have been another delaying tactic of Penelope's.
When the contest of the bow begins, none of the suitors is able to string the bow, except of course Odysseus, who wins the contest. Having done so, he proceeds to slaughter the suitors- Antinous first who he finds drinking from Odysseus' cup - with help from Telemachus, Apollo and two servants, Eumaeus the swineherd and Philoetius the cowherd. Odysseus has now revealed himself in all his glory, (with a little makeover by Athena) and it is standard (in terms of a recognition scene) for all to recognize him and be happy. Penelope, however, cannot believe that her husband has really returned—she fears that it is perhaps some god in disguise as Odysseus, as was the case in the story of Alcmene—and tests him by ordering her servant Euryclea to move the bed in their wedding-chamber. Odysseus protests that this cannot be done since he made the bed himself and knows that one of its legs is a living olive tree. Penelope finally accepts that he truly is her husband, a moment that highlights their homophrosyne (like-mindedness).
In one story of the Epic Cycle, subsequent to Odysseus' death, Penelope marries his son by Circe, Telegonus, with whom she becomes the mother of Italus. Telemachus also marries Circe when Penelope and Telemachus bring Odysseus's body to Aeaea.




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