terça-feira, 21 de novembro de 2017

A túnica de Nessus

Com medo de que Hércules ficasse com uma amante, sua esposa Deianeira lhe deu a túnica que foi manchada com o sangue do centauro Nessus. 

Ela tinha sido enganada por Nessus moribundo para acreditar que seria uma poção para garantir a fidelidade do marido. 

Na verdade, continha o veneno da hidra de Lerna com o qual Hércules havia envenenado a seta que ele usou para matar Nessus. 

Quando Hércules a coloca, o veneno da hidra começa a cozinhá-lo vivo e, para escapar dessa dor insustentável, ele constrói uma pira funerária e se atira sobre ela. 

Metaforicamente, representa "uma fonte de infortúnio a partir da qual não há escapatória, um presente fatal, qualquer coisa que ferre as susceptibilidades" [3] ou uma "força ou influência destrutiva ou expiatória". [4]


Fonte:


domingo, 17 de setembro de 2017

velho morre e o novo não pode nasce

"A crise consiste precisamente no fato de que o velho morre e o novo não pode nascer: neste interregno se verificam os fenômenos mórbidos mais variados". Gramsci


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

one-handed economist

"GIVE me a one-handed economist," demanded a frustrated American president [Harry Truman]. "All my economists say, 'on the one hand...on the other'


Ver também: On some of the affects of capitalism - Bruno Latour


https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjJlLz1vPTRAhWEEJAKHYDUClMQFggkMAA&url=http%3A%2F%2Fwww.bruno-latour.fr%2Fsites%2Fdefault%2Ffiles%2F136-AFFECTS-OF-K-COPENHAGUE.pdf&usg=AFQjCNGe8c6VCWlJCqUBot2s1PB-Sq9VEw&sig2=Uo-WKffkCMGoiK81M15ubQ

sincera

A origem da palavra "sincera".

Em Roma, os artesãos faziam suas estátuas de mármore. 
Se ela ficasse tosca, eles acochambravam com cera.

As estátuas toscas eram "com cera".
As estátuas sem retoque zoado eram "sem cera".

sin cera

sincera.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

livros - comida - fazem quem eu sou (Emerson)

I cannot remember the books I've read any more than the meals I have eaten; even so, they have made me.

                   Emerson

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

mudar de opinião - Fernando Pessoa

«As pessoas inteligentes têm a obrigação de mudar de opinião várias vezes no mesmo dia».

«Convicções profundas só as têm as criaturas superficiais.»

Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas políticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro hábito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opiniões continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez não seja tarde para estabelecer, sobre tão delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude científica.

Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentada sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo própria. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.

A coerência, a convicção, a certeza, são além disso demonstrações evidentes — quantas vezes escusadas — de falta de educação. E uma falta de cortesia com os outros ser sempre o mesmo à vista deles; é maçá-los, apoquentá-los com a nossa falta de variedade.

Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia. Deve ter, não crenças religiosas, opiniões políticas, predilecções literárias, mas sensações religiosas, impressões políticas, impulsos de admiração literária.

Certos estados de alma da luz, certas atitudes da paisagem têm, sobretudo quando excessivos, o direito de exigir a quem está diante deles determinadas opiniões políticas, religiosas e artísticas, aqueles que eles insinuem, e que variarão, como é de entender, consoante esse exterior varie. O homem disciplinado e culto faz da sua sensibilidade e da sua inteligência espelhos do ambiente transitório: é republicano de manhã, e monárquico ao crepúsculo; ateu sob um sol descoberto, e católico ultramontano a certas horas de sombra e de silêncio; e não podendo admitir senão Mallarmé àqueles momentos do anoitecer citadino em que desabrocham as luzes, ele deve sentir todo o simbolismo uma invenção de louco quando, ante uma solidão de mar, ele não souber de mais do que da Odisseia.

Convicções profundas, só as têm as criaturas superficiais. Os que não reparam para as coisas quase que as vêem apenas para não esbarrar com elas, esses são sempre da mesma opinião, são os íntegros e os coerentes. A política e a religião gastam dessa lenha, e é por isso que ardem tão mal ante a Verdade e a Vida.

Quando é que despertaremos para a justa noção de que a política, religião e vida social são apenas graus inferiores e plebeus da estética — a estética dos que ainda a não podem ter? Só quando uma humanidade livre dos preconceitos da sinceridade e coerência tiver acostumado as suas sensações a viverem independentemente, se poderá conseguir qualquer coisa de beleza, elegância e serenidade na vida.
1915

Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. Fernando Pessoa. (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução e organização de Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1980.
1ª publ.:"Crónica da vida que passa". in O Jornal, nº 2. Lisboa: 5-4-1915