segunda-feira, 20 de abril de 2020

Lacordaire

Vous avez beau ne pas vous occuper de politique, la politique s'occupe de vous tout de même


« Sachent donc ceux qui l'ignorent, sachent les ennemis de Dieu et du genre humain, quelque nom qu'ils prennent, qu'entre le fort et le faible, entre le riche et le pauvre, entre le maître et le serviteur, c'est la liberté qui opprime et la loi qui affranchit. »2139

Henri LACORDAIRE (1802-1861), Sermon à la chaire de Notre-Dame (1848)

Conférences de Notre-Dame de Paris, 1835-1851 (1855), Henri Lacordaire.

Ami de Lamennais, venu du catholicisme social et libéral avant 1840, dominicain depuis, il travaille avec éloquence et générosité à réconcilier l'Église et le monde moderne. Vaste programme, toujours à suivre…

Il rompt avec l'éternel insoumis, Lamennais. Nommé pair de France en 1835, il poursuit sa lutte pour la défense de l'Église et la conquête des libertés essentielles. Élu à l'Assemblée constituante en avril 1848, sous la Deuxième République, il se rallie à la politique du prince-président Louis-Napoléon Bonaparte et fait ensuite partie du Corps législatif jusqu'en 1857.

Ce joli mot explique son parcours : « Vous avez beau ne pas vous occuper de politique, la politique s'occupe de vous tout de même. »


Fonte: https://www.histoire-en-citations.fr/citations/lacordaire-sachent-donc-ceux-qui-l-ignorent-sachent

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Filmes, documentários e entrevistas de esquerda

. Filmes, documentários e entrevistas de dirigentes, lideranças e autores de esquerda (marxistas ou progressistas)

A idade do século – voz e rosto de Gregório Bezerra, dirigido por Geneton de Moraes Neto (1986), https://www.youtube.com/watch?v=fjWtQTEgdfk&t=9s

A resistência final de Salvador Allende, dirigido por Patricio Henriquez (1998) – legendado em português, https://www.youtube.com/watch?v=PHaXSUVPRw0

Alexandra Kollontai, produzido por BBC – áudio em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=f5UvZ0eHVx4

Álvaro Cunhal – A Vida de Um Resistente. 1ª Parte – Que Fazer, dirigido por Joaquim Vieira (2006), https://www.youtube.com/watch?v=6B0Rd2EWi84

Álvaro Cunhal – A Vida de Um Resistente. 2ª Parte – O Estado e a revolução, dirigido por Joaquim Vieira (2006), https://www.youtube.com/watch?v=8_aaVtk9hFk

Álvaro Cunhal – percursos, produzido por TVI (1995), https://www.youtube.com/watch?v=4fMd53DXFkk

Amílcar Cabral: vida e morte, dirigido por Antonio de Deus Gonçalves (2009), https://www.youtube.com/watch?v=_SriEOeFn_E&feature=youtu.be

Antonio Gramsci, os dias do cárcere, dirigido por Lino del Fra (1977) – legendado em português, https://www.youtube.com/watch?v=AkIqn4VqkdQ

Africa's Black Star: the rise and fall of Kwame Nkrumah, dirigido por Nuakai Tehuti Aru – aúdio em inglês, https://www.youtube.com/watch?time_continue=9&v=2qazB9d-csg&feature=emb_logo

Biografía Josip Broz Tito, https://www.youtube.com/watch?v=cKzFbeiE5pA&t=2221s

Black Power – The Kwame Nkrumah Documentary, dirigido por Adam Curis (1992) – áudio em inglês, https://www.youtube.com/watch?v=xK9xi1L0USk&feature=youtu.be

Cabra marcado pra morrer, dirigido por Eduardo Coutinho (1984), https://www.youtube.com/watch?v=s7pnKjA56-g

Cadê Zé Profiro?, dirigido por Hélio Brito (2004), https://www.youtube.com/watch?v=7A8WN4LI8jw&feature=youtu.be

Carlos el amanecer dejó de ser una tentación, dirigido por Marjorie Arostegui(2012) – áudio em castelhano,https://www.youtube.com/watch?v=GLdq5H-K-ic

Camilo Torres, el cura guerrillero, dirigido por Francisco Norden (1974) – legendado em castelhano,https://www.youtube.com/watch?v=tcndMqiKURQ&feature=youtu.be

Carlos Eugênio Paz, Comandante Clemente – entrevista a Geneton Moraes Neto, GloboNews, https://www.youtube.com/watch?v=gZ9aKnRz0Qc

Celia Sánchez, produzido por Mundo Latino (2016) – áudio em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=ifHfkBnoLSM

Che Guevara donde nunca jamás se lo imaginan, dirigido por Manuel Pérez Paredes (2004) – áudio em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=6QfuOOJzByg&feature=emb_logo

Chico Mendes, a Voz da Amazônia, dirigido por Miranda Smith (1989), https://www.youtube.com/watch?v=GXaxJYf9IPI&feature=youtu.be

Diários de motocicleta, dirigido por Walter Salles (2004), https://www.youtube.com/watch?v=IvuDnj_K_Q8

Elisa Branco, a corajosa comunista da luta mundial pela paz, https://www.youtube.com/watch?v=18nmruwnQeo

El Diálogo de América – una conversación entre Fidel Castro y Salvador Allende (1971) – áudio em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=BLoIwfSV0PY

Entrevista com Domenico Losurdo com Giulio Gerosa – 12 partes (2011) – legendado em português, https://www.youtube.com/watch?v=QWKDx8siO0Q&list=PL60F1441D2932F663

Farabundo Martí, Alma y corazón, produzido por Secretaría de Comunicaciones del Frente Farabundo Marti para la Liberación Nacional (FMLN)  (2017) – legendado em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=1qXKE17NKZM

Florestan Fernandes – o mestre, dirigido por Roberto Stefanelli (2004), https://www.youtube.com/watch?v=ncGSS2yyhNw

Florestan Fernandes – Programa da Vox Populi (1984), https://www.youtube.com/watch?v=dPAYUfcwR0E

Francisco Julião, na lei ou na marra, dirigido por Clarisse Viana e Fernando Barcellos (2016), https://www.youtube.com/watch?v=43n2sfBy0Ho&feature=youtu.be

Giap – Memórias Centenárias da Resistência, dirigido por Sílvio Tendler (2003) – legendado em português, https://www.youtube.com/watch?v=Tq8c72PKSCA

Gregório Bezerra – uma entrevista histórica, dirigido por Luiz Alberto Sanz, Lars Safstrom, Leonardo Cespedes e Staffan Lindqvist (1976), https://www.youtube.com/watch?v=4pWsSnmFYaY&t=85s

Herbert Marcuse interview with Bryan Magee (1977) – áudio em inglês, https://www.youtube.com/watch?v=0KqC1lTAJx4

Ho Chi Minh y la independencia de Vietnam,https://www.youtube.com/watch?v=cz7A_icksHA

Interview with Georg Lukacs – legendado em inglês,https://www.youtube.com/watch?v=9OUTlByL-44

José Carlos Mariátegui: Serie Maestros de América Latina, – áudio em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=OylJbxm0x_o

Karl Marx por Louis Althusser e Émile Bottigelli, produzido por France Culture (1963) – áudio em francês, https://www.youtube.com/watch?v=0_0JcAmZ5U0&t=309s

La Guerra Necesaria: Fidel Castro, dirigido por Santiago Alvarez (1980)– áudio em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=h3tOpj6ntCI

Lenin em Outubro, dirigido por Mikhail Romm (1937) – legendado em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=pl6ydldxNKg

Lumumba, dirigido por Raoul Peck (2000) – áudio em francês, https://youtu.be/SZEGI5kEsBo

Marighella, dirigido por Isa Grinspum Ferraz (2012), https://www.youtube.com/watch?v=7Mw386dVhcY&t=4s

Marighella, O retrato falado do guerrilheiro, dirigido por Silvio Tendler (2001), https://www.youtube.com/watch?v=Y8otiuMrzsQ

Nicos Poulantzas, diez años de ausencia, dirigido por Nikos Jurakis y Kostas Jristópoulos (1989) – legendado em castelhano,https://www.youtube.com/watch?v=mchAHtQgUL8&t=151s

Nova África: Agostinho Neto, dirigido por Mônica Monteiro, https://www.youtube.com/watch?v=paPozP7IVjs

O assassinato de Trotsky, dirigido por Joseph Losey (1972) – legendado em português,https://www.youtube.com/watch?v=OLK6C6ekS-8&feature=youtu.be

O jovem Karl Marx, dirigido por Raoul Peck (2017) – legendado em português,https://www.youtube.com/watch?v=2M5vo2n6G7Y&t=1446s

O mestre Graça, dirigido por Jorge Oliveira (1986), https://www.youtube.com/watch?v=JlqbVfhydz0&feature=youtu.be

O sonho de Rose: 10 anos depois, dirigido por Tetê Moraes (2000), https://www.youtube.com/watch?v=xP2Jm23RJ9Y&t=4s

O velho: a história de Luiz Carlos Prestes, dirigido por Toni Venturi (1997), https://www.youtube.com/watch?v=1u02uqMK6Ek

Rio Chiquito (Homenagem a Hernando González Acosta), dirigido por Bruno Munuel e Jean Pierre Sergent (1965) – áudio em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=3DMePi_I_1M&feature=youtu.be

Rosa Luxemburgo, dirigido por Margarethe von Trotta (1986) – legendado em português, https://www.youtube.com/watch?v=qu96jHjkEsY

Samora Vive, dirigido por Filomena Salvador (2011), https://www.youtube.com/watch?v=7j6vo1NLgCQ

Sandino, dirigido por Miguel Littin (1990) – áudio e legenda em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=mblNOkimp6I

Simplemente Camilo, produzido por Mundo Latino (2009) – áudio em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=A6cUm786-Aw

Terra para Rose, dirigido por Tetê Moraes (1987), https://www.youtube.com/watch?v=1ZlqjK4K1-0

Thomas Sankara. "…e naquele dia mataram a felicidade", dirigido por Silvestro Montanaro (2013) – em português, https://www.youtube.com/watch?v=20u-WWjM_50

Tosco, dirigido por Adrián Jaime (2011) – áudio e legenda em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=JcN05ceUk5A&feature=youtu.be

Três Canções Para Lênin, dirigido por Dziga Vertov (1934) – em português, https://www.youtube.com/watch?v=WFuvUO1riIM&feature=emb_logo

Vale a pena sonhar: a vida de Apolônio de Carvalho, dirigido por Stela Grisotti e Rudi Böhm (2003), https://www.youtube.com/watch?v=23ptxXE-oSY&feature=youtu.be

II. Documentários e filmes sobre o nazismo e o fascismo

Arquitetura da destruição, Diretor Peter Cohen (1989), https://www.youtube.com/watch?v=BZq4VC6uIPk&t=2227s

Fascism Inc, Diretor Aris Chatzistefanou (2014), https://www.youtube.com/watch?v=K80XYjF3lHE

O fascismo de todos os dias, Mikhail Romm (1965) – legendas em português, https://archive.org/details/FascismodeTodosOsDias1965

El fascismo cotidiano, Mikhail Romm (1965) – legendas em castelhano, https://www.youtube.com/watch?v=7WgB2sulSuo

A língua das mariposas

A onda, Diretor Dennis Gansel (2008) – dublado, https://www.youtube.com/watch?v=zG3TfjAhs30

A queda – as últimas horas de Hitler, Diretor Oliver Hirschbiegel (2005) – dublado, https://www.youtube.com/watch?v=qQ-oF2OLYGw

Chá com Mussolini, Diretor Franco Zeffirelli (2000) – legendas em português, https://www.youtube.com/watch?v=SI15yEq7i-o&t=2773s

Isto é Inglaterra, Diretor Shane Meadows (2009) – legendado em português, https://www.youtube.com/watch?v=tzh9CzwJuc0&feature=youtu.be

O anjo de Auschwitz , Diretor Terry Lee Cooker (2019) – dublado, https://www.youtube.com/watch?v=ENvwRXE106s

Os deuses malditos, Diretor Luchino Visconti (1969) – versão original em italiano, https://www.youtube.com/watch?v=9J8PAQ5Wwak&t=11s

O jardim dos Finzi-Contini, Diretor Vittorio de Sica  (1970) – legenda em inglês, https://www.youtube.com/watch?v=PxSPu25xbQw

O ovo da serpente, Diretor Ingmar Bergman (1977) – legendas em português, https://www.youtube.com/watch?v=M0WqyFnNsiE

O refúgio secreto, Diretor James F. Collier (1975) – legendas em português, https://www.youtube.com/watch?v=sRaGkWbMR9E

O triunfo da vontade, Diretor Leni Riefenstahl (1935) – legenda em inglês, https://www.youtube.com/watch?v=s8bJ1W2aKy0&t=813s

Riphagen, Diretor Pieter Kuijpers (2016) – dublado, https://www.youtube.com/watch?v=iJ5XRxK0stM

Roma, cidade aberta, Diretor Roberto Rosselini (1945) – legendas em português, https://www.youtube.com/watch?v=gcRbKX2MeFo

Trens estreitamente vigiados, Diretor Jiří Menzel (1966) – legendas em português, https://www.youtube.com/watch?v=PUMaCeyupoA

Um skinhead no divã, Diretor Niklas Rådström e Suzanne Osten (1993) – legendas em português, https://www.youtube.com/watch?v=oELvg0awEEE&feature=youtu.be

Uma cidade sem passado, Diretor Mark Verhoeven (1990) – legendas em português, https://www.youtube.com/watch?v=kKiykbMCtRM

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Brecht - rio caudaloso - rio violento

DO RIO QUE TUDO ARRASTA

Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem

Penoso Trabalho de Verificar

"Todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente, do penoso trabalho de verificar. É com impressões fluídas que formamos as nossas maciças conclusões. Para julgar em Política o fato mais complexo, largamente nos contentamos com um boato, mal escutado a uma esquina, numa manhã de vento. Para apreciar em Literatura o livro mais profundo, atulhado de ideias novas, que o amor de extensos anos fortemente encadeou, apenas nos basta folhear aqui e ali uma página, através do fumo escurecedor do charuto. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza é fulminante. Com que soberana facilidade declaramos—«Este é uma besta! Aquele é um maroto!». Para proclamar—«É um génio!» ou «É um santo!» oferecemos uma resistência mais considerada. Mas ainda assim, quando uma boa digestão ou a macia luz dum céu de Maio nos inclinam à benevolência, também concedemos bizarramente, e só com lançar um olhar distraído sobre o eleito, a coroa ou a auréola, e aí empurramos para a popularidade um maganão enfeitado de louros ou nimbado de raios. Assim passamos o nosso bendito dia a estampar rótulos definitivos no dorso dos homens e das coisas. Não há ação individual ou coletiva, personalidade ou obra humana, sobre que não estejamos prontos a promulgar rotundamente uma opinião bojuda. E a opinião tem sempre, e apenas, por base aquele pequenino lado do fato, do homem, da obra, que perpassou num relance ante os nossos olhos escorregadios e fortuitos. Por um gesto julgamos um caráter: por um caráter avaliamos um povo".

Eça de Queiroz (1845-1900)

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

DIREITO SEM FILOSOFIA (REALE)

"Toda a pretensão de apresentar a ciência do direito independentemente de quaisquer pressupostos filosóficos, ou os subentende inadvertidamente, ou se resolve num equívoco agnosticismo filosófico que já equivale a uma contraditória tomada de posição especulativa." - MIGUEL REALE  

sexta-feira, 12 de julho de 2019

A REPÚBLICA DO SILÊNCIO Jean-Paul Sartre

A REPÚBLICA DO SILÊNCIO 
Jean-Paul Sartre 
(Les Lettres Françaises, 09.09.1944) 
Tradução de Rachel Gutiérrez. 
Nunca fomos mais livres do que durante a ocupação alemã. Tínhamos perdido 
todos os nossos direitos e, em primeiro lugar, o de falar; éramos ultrajados a cada dia e 
tínhamos de nos calar; éramos deportados em massa como trabalhadores, como judeus, 
como prisioneiros políticos; em todo lugar, nos muros, nos jornais, nas telas de cinema, 
reencontrávamos o semblante imundo que nossos opressores queriam nos dar de nós 
mesmos: por causa de tudo isso éramos livres. Porque o veneno nazista se infiltrava até 
no nosso pensamento, cada pensamento justo era uma conquista; porque uma polícia 
todo-poderosa tentava nos constranger ao silêncio, cada palavra se tornava preciosa 
como uma declaração de princípios; porque estávamos encurralados, cada um de nossos 
gestos tinha o peso de um engajamento. As circunstâncias muitas vezes atrozes de nosso 
combate nos tornaram capazes de viver, enfim, sem disfarces e sem véus essa situação 
dilacerada, insuportável que se chama a condição humana. O exílio, o cativeiro e, acima 
de tudo, a morte que mascaramos habilmente nas épocas felizes, eram os motivos 
perpétuos de nossas preocupações, percebíamos que não são acidentes evitáveis, nem 
mesmo ameaças constantes, mas exteriores: era preciso reconhecer nelas nosso quinhão, 
nosso destino, a fonte profunda de nossa realidade de homem; a cada segundo vivíamos 
em sua plenitude o sentido desta pequena frase banal: "Todos os homens são mortais." E 
a escolha que cada um fazia de si mesmo era autêntica porque era feita na presença da 
morte, porque poderia sempre se expressar como "Melhor morrer do que...". E não falo 
aqui daquela elite que foram os verdadeiros Resistentes, mas de todos os franceses que, a 
cada momento do dia e da noite, durante quatro anos, disseram não. A própria crueldade 
do inimigo nos empurrava até os extremos de nossa condição, constrangendo-nos a fazer 
as perguntas que evitamos na paz: todos aqueles dentre nós – e que francês não esteve 
uma ou outra vez nessa situação? – que conheciam alguns detalhes interessantes da 
Resistência se perguntavam com angústia: "Se me torturarem, vou aguentar?" Assim, a 
própria questão da liberdade se impunha e nós estávamos no limiar do conhecimento 
mais profundo que o homem pode ter de si mesmo. Porque o segredo de um homem 
não é o seu complexo de Édipo ou de inferioridade, é o limite mesmo da sua liberdade, é 
seu poder de resistência aos suplícios e à morte. Aos que tiveram uma atividade 
clandestina, as circunstâncias de sua luta traziam uma novidade: não combatiam à luz do 
dia, como soldados; encurralados na solidão, presos na solidão, foi no abandono, no 
desamparo mais completo que eles resistiram às torturas: sozinhos e nus diante dos 
carrascos bem barbeados, bem nutridos, bem vestidos que escarneciam de sua carne 
miserável e a quem uma consciência satisfeita e um poder social desmesurado davam 
todas as aparências de terem razão. No entanto, no mais profundo dessa solidão, eram os 
outros, todos os outros, todos os camaradas da resistência que eles defendiam; uma só 
palavra seria suficiente para provocar dez, cem detenções. Essa responsabilidade total, na 
solidão total, não é o próprio desvelamento da nossa liberdade? Aquele desamparo, 
aquela solidão, aquele risco enorme foram os mesmos para todos, para os chefes e para 
os homens; tanto para os que levavam mensagens cujos conteúdos ignoravam quanto 
para os que tomavam decisões sobre toda a resistência, uma única sanção: a prisão, a 
deportação, a morte. Não há exército no mundo onde se encontre semelhante igualdade 
de riscos para o soldado e para o generalíssimo. E é por isso que a Resistência foi uma 
democracia verdadeira: o mesmo perigo para o soldado e para o chefe, a mesma 
responsabilidade, a mesma liberdade absoluta na disciplina. Assim, na sombra e no 
sangue, a mais forte das Repúblicas foi constituída. Cada um de seus cidadãos sabia que 
se devia a todos e que só podia contar consigo mesmo; cada um compreendia, no mais 
completo desamparo, seu papel histórico. Cada um deles, contra os opressores, decidia, 
empreendia ser ele mesmo, irremediavelmente, e escolhendo a si mesmo em sua 
liberdade, escolhia a liberdade de todos. Essa república sem instituições, sem exército e 
sem polícia, era preciso que cada francês a conquistasse e a afirmasse a cada instante 
contra o nazismo. Eis-nos agora, às vésperas de uma outra República: não podemos 
esperar que ela conserve à luz do dia as austeras virtudes da República do Silêncio e da 
Noite. 
LA REPUBLIQUE DU SILENCE 
Jamais nous n'avons été plus libres que sous l'occupation allemande. Nous avions perdu 
tous nos droits et d'abord celui de parler ; on nous insultait en face chaque jour et il fallait 
nous taire ; on nous déportait en masse, comme travailleurs, comme Juifs, comme 
prisonniers politiques ; partout sur les murs, dans les journaux, sur l'écran, nous 
retrouvions cet immonde et fade visage que nos oppresseurs voulaient nous donner de 
nous-mêmes : à cause de tout cela nous étions libres. Puisque le venin nazi se glissait jusque dans notre pensée, chaque pensée juste était une conquête ; puisqu'une police 
toute-puissante cherchait à nous contraindre au silence, chaque parole devenait précieuse 
comme une déclaration de principe ; puisque nous étions traqués, chacun de nos gestes 
avait le poids d'un engagement. Les circonstances souvent atroces de notre combat nous 
mettaient enfin à même de vivre, sans fard et sans voile, cette situation déchirée, 
insoutenable qu'on appelle la condition humaine. L'exil, la captivité, la mort surtout que 
l'on masque habilement dans les époques heureuses, nous en faisions les objets 
perpétuels de nos soucis, nous apprenions que ce ne sont pas des accidents évitables, ni 
même des menaces constantes mais extérieures : il fallait y voir notre lot, notre destin, la 
source profonde de notre réalité d'homme ; à chaque seconde nous vivions dans sa 
plénitude le sens de cette petite phrase banale : " Tous les hommes sont mortels. " Et le 
choix que chacun faisait de lui-même était authentique puisqu'il se faisait en présence de 
la mort, puisqu'il aurait toujours pu s'exprimer sous la forme " Plutôt la mort que... ". Et 
je ne parle pas ici de cette élite que furent les vrais Résistants, mais de tous les Français 
qui, à toute heure du jour et de la nuit, pendant quatre ans, ont dit non. La cruauté même 
de l'ennemi nous poussait jusqu'aux extrémités de notre condition en nous contraignant 
à nous poser ces questions qu'on élude dans la paix : tous ceux d'entre nous - et quel 
Français ne fut une fois ou l'autre dans ce cas ? – qui connaissaient quelques détails 
intéressant la Résistance se demandaient avec angoisse : " Si on me torture, tiendrai-je le 
coup ? " Ainsi la question même de la liberté était posée et nous étions au bord de la 
connaissance la plus profonde que l'homme peut avoir de lui-même. Car le secret d'un 
homme, ce n'est pas son complexe d'Œdipe ou d'infériorité, c'est la limite même de sa 
liberté, c'est son pouvoir de résistance aux supplices et à la mort. À ceux qui eurent une 
activité clandestine, les circonstances de leur lutte apportaient une expérience nouvelle : 
ils ne combattaient pas au grand jour, comme des soldats ; traqués dans la solitude, 
arrêtés dans la solitude, c'est dans le délaissement, dans le dénuement le plus complet 
qu'ils résistaient aux tortures : seuls et nus devant des bourreaux bien rasés, bien nourris, 
bien vêtus qui se moquaient de leur chair misérable et à qui une conscience satisfaite, une 
puissance sociale démesurée donnaient toutes les apparences d'avoir raison. Pourtant, au 
plus profond de cette solitude, c'étaient les autres, tous les autres, tous les camarades de 
résistance qu'ils défendaient ; un seul mot suffisait pour provoquer dix, cent arrestations. 
Cette responsabilité totale dans la solitude totale, n'est-ce pas le dévoilement même de 
notre liberté ? Ce délaissement, cette solitude, ce risque énorme étaient les mêmes pour 
tous, pour les chefs et pour les hommes ; pour ceux qui portaient des messages dont ils ignoraient le contenu comme pour ceux qui décidaient de toute la résistance, une 
sanction unique : l'emprisonnement, la déportation, la mort. Il n'est pas d'armée au 
monde où l'on trouve pareille égalité de risques pour le soldat et le généralissime. Et c'est 
pourquoi la Résistance fut une démocratie véritable : pour le soldat comme pour le chef, 
même danger, même responsabilité, même absolue liberté dans la discipline. Ainsi, dans 
l'ombre et dans le sang, la plus forte des Républiques s'est constituée. Chacun de ses 
citoyens savait qu'il se devait à tous et qu'il ne pouvait compter que sur lui-même ; 
chacun d'eux réalisait, dans le délaissement le plus total son rôle historique. Chacun 
d'eux, contre les oppresseurs, entreprenait d'être lui-même, irrémédiablement et en se 
choisissant lui-même dans sa liberté, choisissait la liberté de tous. Cette république sans 
institutions, sans armée, sans police, il fallait que chaque Français la conquière et l'affirme 
à chaque instant contre le nazisme. Nous voici à présent au bord d'une autre 
République : ne peut-on souhaiter qu'elle conserve au grand jour les austères vertus de la 
République du Silence et de la Nuit

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Henry Louis Mencken: para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada.

Fonte: https://folha.com/5jtm69vy