quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Balada Do Louco - Os Mutantes

Balada Do Louco

Os Mutantes

Composição: Arnaldo Baptista / Rita Lee

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz


Fonte: http://letras.terra.com.br/mutantes/47541/


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Fita Branca

“Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles.

Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso.

Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/mauriciostycer/2009/10/24/as-raizes-do-mal-haneke-explica-%E2%80%9Ca-fita-branca%E2%80%9D/

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O silêncio dos bons (Martin Luther King)

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”

(sem fonte)

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"Letter from a Birmingham Jail [King, Jr.]"

I had also hoped that the white moderate would reject the myth concerning time in relation to the struggle for freedom. I have just received a letter from a white brother in Texas. He writes: "All Christians know that the colored people will receive equal rights eventually, but it is possible that you are in too great a religious hurry. It has taken Christianity almost two thousand years to accomplish what it has. The teachings of Christ take time to come to earth." Such an attitude stems from a tragic misconception of time, from the strangely irrational notion that there is something in the very flow of time that will inevitably cure all ills. Actually, time itself is neutral; it can be used either destructively or constructively. More and more I feel that the people of ill will have used time much more effectively than have the people of good will. We will have to repent in this generation not merely for the hateful words and actions of the bad people but for the appalling silence of the good people. Human progress never rolls in on wheels of inevitability; it comes through the tireless efforts of men willing to be co workers with God, and without this hard work, time itself becomes an ally of the forces of social stagnation. We must use time creatively, in the knowledge that the time is always ripe to do right. Now is the time to make real the promise of democracy and transform our pending national elegy into a creative psalm of brotherhood. Now is the time to lift our national policy from the quicksand of racial injustice to the solid rock of human dignity.


Fonte:

Canção do Tamoio - Gonçalves Dias - Viver é lutar!

Canção do Tamoio

(Natalícia)

I

Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.

II

Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.

III

O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves concelhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!

IV

Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!

V

E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro,
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.

VI

Teu grito de guerra
Retumbe aos ouvidos
Dimigos transidos
Por vil comoção;
E tremam douvi-lo
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.

VII

E a mão nessas tabas,
Querendo calados
Os filhos criados
Na lei do terror;
Teu nome lhes diga,
Que a gente inimiga
Talvez não escute
Sem pranto, sem dor!

VIII

Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do inimigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranqüilo nos gestos,
Impávido, audaz.

IX

E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão.

X

As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.

Fonte:

domingo, 27 de dezembro de 2009

A coruja de Minerva voa só no cair da tarde (Hegel)

"A coruja de Minerva voa só no cair da tarde, quando uma forma de vida já envelheceu"
Hegel

Contra: Marx (história deixou de ser uma compreensão do passado para ser uma projeção do futuro)

Ver Prefácio do Celso Lafer no livro da Hannah Arendt "Entre o Passado e o Futuro".

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Intertextual e plágio

O crime do padre, Amaro ou Mouret ?

Eça de Queirós - personagens e cenas jurídicas de um homem do Direito

Apanhou do pé o fruto, partiu-o ao meio e espremendo a sua carne foi retirando pouco a pouco o suco de seu interior.

Pode-se, assim, ilustrar o difícil ato da expressão do pensamento humano.

A pintura, a música, o verso – e assim por diante – configuram-se realizações marcadas de pessoalidade – "o suco de seu interior".

Não é de estranhar, portanto, que essas expressões artísticas consigam até mesmo revelar seu autor simplesmente pelos traços característicos que dele carregam.

E quando isso se dá, temos aí, verdadeiramente, uma obra original.

Na mão contrária à originalidade, temos a cópia. E em sua pior expressão, pois quer ter caráter de original, o plágio. É como assinar um trabalho que não se fez.

Foi do que Eça de Queirós foi acusado pela obra o "Crime do Padre Amaro", conforme ele mesmo nos relata nas "Cartas Inéditas de Fradique Mendes".

Aquele livro havia recebido certa atenção da crítica, em vista da publicação anterior de "O Primo Basílio", e escreveu-se, sem qualquer prova efetiva, que a obra não passava de uma imitação do romance "La Faute de l'Abbé Mouret", de Émile Zola.

Será ? Será que o "Crime do Padre Amaro" era resultado de uma ação astuciosa ou aproveitadora por parte de Eça de Queirós ?

Não, definitivamente não. E o autor português tratou de provar isso.

Em preliminar, argumentou quanto às datas de produção dos dois livros : sua obra portuguesa havia sido escrita em 1871, lido por alguns amigos em 1872 e publicado em 1874, a obra francesa fora escrita e publicada em 1874.

No mérito, foi ao enredo dos livros. Bastava a leitura para constatar o originalidade das obras. Explicava o autor português : "La Faute de l'Abbé Mouret é, no seu episódio central, o quadro alegórico da iniciação do primeiro homem e da primeira mulher no amor" ; já o "Crime do Padre Amaro" tinha no enredo uma "simples intriga de clérigos e de beatas, tramada e murmurada à sombra duma velha Sé de província portuguesa".

Apesar do transtorno Eça de Queirós não guardou mágoas. Disse mais tarde : "eu, por mim, adoro a crítica: leio-a com unção, noto as suas observações, corrijo-me quando as suas indicações me parecem justas, desejo fazer minha a sua experiência das coisas humanas".

Mas como nem todos tem a grandeza do autor português, especialmente no que diz respeito à originalidade, vale a pena insistir um pouco mais na questão do plágio.

Pelo artigo 5º, inciso XXVII, da Constituição Federal de 1988 , bem como pela lei nº 9.610/98 – que altera, atualiza e consolida a legislação sobre os direitos autorais e dá outras providências – cabe apenas ao autor o direito exclusivo de utilizar ou dispor da sua obra. O desrespeito à lei, previsto no artigo 184 do Código Penal, gera detenção de 3 meses a 1 ano, ou então multa. Só que para poder requerer os direitos previstos em lei, é necessário que a obra - texto escrito, fotografia, partitura musical etc. – esteja devidamente registrada na Biblioteca Nacional.

Intertextual

Mas não confundamos alhos com bugalhos, quer dizer, plágio com "intertextualidade". Este termo, conforme define o léxico, designa a "superposição de um texto a outro". Trata, portanto, da absorção e transformação de uma multiplicidade de textos para a produção de outro. A princípio pode parecer plágio, alguns chegam até a definir esse uso como "plágio criativo", mas a diferença está no acréscimo ou enriquecimento que se presta à ideia original e na homenagem que se faz ao seu autor.

Quer ver um exemplo ? Vamos então a um dos mais notáveis nomes da música brasileira, Chico Buarque. Quem nunca ouviu esses versos da letra "Até o Fim" ?

"Quando nasci veio um anjo safado

O chato dum querubim

E decretou que eu tava predestinado

A ser errado assim

Já de saída a minha estrada entortou

Mas vou até o fim"

Como base para a composição, "Poema de Sete Faces", de Carlos Drummond de Andrade :

"Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida"

Não parece haver dúvida que os versos do Julinho da Adelaide sejam "o suco de seu interior", espremido com suas vivências e leituras seletas.

Enfim, independente de lei ou mesmo de questões éticas, uma coisa é certa : melhor criar que copiar.

Mesmo porque, sem esforço o cérebro atrofia.

Fonte:
http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia.aspx?cod=97726

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Haver - Vinícius

http://www.youtube.com/watch?v=u6LcZfStlfc

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

15/04/1962